Primeiramente gostaríamos de pedir desculpas por ficar tanto tempo com o blog sem atualização.
Até que enfim chegamos a Sydney, nosso real destino nessa viagem que acabou de começar, mas que já tem um bocado pra contar. A começar pelo hotel, que era realmente aquilo que nós esperávamos, com uma acomodação muito boa, uma vista de dar inveja a muito arranha-céu no mundo, e o melhor de tudo, a localização.
O centro da Nova Zelândia é tudo aquilo que se espera de uma cidade digna de se passar boa parte da sua vida, organizada e limpa, na medida do possível (é claro), de tempos em tempos um carro especial recolhe o lixo, varre e lava a calçada. Pra quem gosta de café, como eu, não poderia existir um lugar melhor para se viver, a cada esquina, melhor dizendo, a cada 10 cafés, você encontra uma esquina, de tudo que é espécie, nome, fachada, clientela, os cafés aqui são definitivamente o local preferido dos Neozelandeses quando se pensa em algo não alcoólico.
Se for pensar em algo que comercialize alguma substancia volátil, pense nos PUBS. Ingleses, os originais, aqueles que você encontra caras estranhos, brancos, com barba ruiva e uma cara de poucos amigos, mas só cara, porque estão sempre acompanhados de mais três ou quatro conterrâneos, enchendo a cara e tomando mais uma Jug, uma espécie de caneco com 1,5 litros de cerveja, que vêm de todo canto do mundo, vale a pena sentar e dedicar umas horinhas saboreando uma cerveja forte e de qualidade.
A população da NZ é basicamente formada por 110% de chineses, 90% indianos, 48% japoneses, 37% mustafas, 10% brasileiros e o resto composto por ingleses, aborígenes e indefinidos.
A moda é colocar roda bonita em carro, seja ele qual for, uma van dos correios ou um Aston Martin DB5, melhor ainda se for cromada e de aro superior ao recomendado pelo fabricante, de quebra mande colocar um escapamento grande se quiser sumir no meio da frota neozelandesa.
A noite não deixa de ser algo menos esquisito, muita gente na rua, quando eu disse muita, é muita mesmo, as festas são de graça, por isso os grupos de amigos entram e saem da balada a hora que bem entenderem, se acharem fraco, vão embora, sai quem quiser, não existe comanda ou cartão de consumação, e também entra quem quiser, ou quem eles acharem que deve entrar, se o lutador de sumo vestindo um terno preto parado na porta não for com a cor do seu cadarço, você fica pra fora e fim de papo, alias, nem começo de papo teve, então como pode ter um fim?
Foram cinco dias de “bon vivant”, nada do que reclamar, e pra fechar com chave de ouro a nossa ultima noite no hotel, escutamos a seguinte mensagem no falante do quarto:
“- The internal fire alarm was activated in another part of the building, feel free to leave or stand by for further information.”
Estávamos de saída mesmo, mas pra que a pressa, olhamos pela janela, nada, esperamos alguns instantes, nada. Não é que de repente a coisa parece ficar séria?
Uma sirene ali, outra aqui, mais uma acolá, e foi ai que pensamos:
“- Vamos fazer como boa parte do pessoal que estava no prédio e esta agora no térreo fizeram, vamos descer…”
Nesse exato momento, abrimos a porta da escada, com a roupa do corpo, as duas chaves e pensando na grande m**** que aquilo tudo poderia dar, cruzamos com dois velhinhos desesperados querendo sair da escada de incêndio, pois uma vez que você entrasse nela, era impossível sair, pois ela não abriria mais pelo lado de dentro. O casal de velhinhos estava cansado, não tinham mais fôlego pra descer, afinal, eram 38 andares de pura adrenalina, abrimos a porta pra eles para que saíssem e entramos rumo ao térreo, parecia então um alarme falso, até a hora que o Pedro que seguia na frente gritar “- FUMAÇA!!!!”.
Bom, ai realmente bateu aquele nervosinho, mentira, foi um legitimo cagasso, voltamos a subir, já pensando que não ia mais dar pra sair, com sorte cruzamos algumas pessoas que abriram a porta e pegamos a outra escada do acesso ao térreo, ainda bem que o prédio era dotado desse sistema, devido à altura e por abrigar muita gente talvez.
Descemos rápido, afinal, churrasco mesmo só de canguru, não de brasileiro. A descida ia bem, até empacarmos com alguns bêbados no décimo quinto andar, entornado uma caixa de Vodca pelo caminho para relaxar e quebrar o “gelo”.
Mas como é de se perceber, isso não é uma psicografia, então saímos ilesos, assim como o prédio, não ficamos sabendo ao certo o que aconteceu, mas deve ter sido um curto ou algo parecido, nada grave, mas que garantiu uma história boa e uma noite um pouco mais agitada do que o normal.
Pegamos o avião no dia seguinte, mais algumas horas de vôo pra enquadrar nossas nádegas no padrão australiano e agora sim, definitivamente chegamos a Sydney – Austrália, alguns com uma mala a menos, mas inteiros, recebidos por um taxista palestino, uma família de franceses, um sujeito da Arábia e duas legítimas XingLIngs.
Primeiras impressões, uma cidade com um clima bom (mas doido segundo a nossa família australiana), aranhas com um palmo de largura e um monte de coisas pra se fazer antes de realmente começar a viver pra valer aqui.
Fica aqui a saudade e a satisfação de mais uma etapa realizada com sucesso, uma das muitas que estão por vir!
See ya Mates!